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As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump, já preocupam a

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump, já preocupam a economia do Paraná especialmente os Campos Gerais, onde o setor madeireiro e agroindustrial têm forte ligação com o mercado norte-americano.

Um levantamento da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) aponta que cerca de 40% das exportações do Estado destinadas aos EUA estão em risco com as medidas. Entre os setores mais prejudicados estão os de madeira processada, compensados, molduras, mel e derivados agrícolas, produtos em grande parte produzidos e exportados a partir da região.

Impactos diretos nos Campos Gerais

Nos municípios de vocação madeireira, como Arapoti, Telêmaco Borba, Imbaú e Sengés, a situação é considerada delicada. Indústrias que dependem quase exclusivamente das exportações de pinus, compensados e madeira serrada não foram contempladas nas isenções das novas tarifas.

Em Jaguariaíva, por exemplo, a BrasPine demitiu mais de 200 funcionários após colocar cerca de 700 em férias coletivas em decorrência do “tarifaço” dos EUA, segundo relatos da empresa e de registros locais. Em Telêmaco Borba e Jaguariaíva juntas, foram desligados cerca de 400 trabalhadores, e aproximadamente 1.100 colaboradores tiveram seus contratos suspensos (layoff) como medida emergencial para minimizar os efeitos da retração na demanda.

Isso significa que, em cidades onde a base econômica está concentrada nesse segmento, há risco de demissões em massa, férias coletivas e fechamento de linhas de produção, com efeito dominó sobre o comércio local, serviços e consumo das famílias.

Outro setor afetado é o de apicultura. Produtores de mel, cuja produção tem os EUA como principal destino, já relatam insegurança para cumprir contratos e manter preços competitivos.

Efeito em cadeia: desemprego e retração econômica

As entidades regionais alertam que, caso não haja reação rápida, os Campos Gerais podem sofrer com:
• Aumento do desemprego nas indústrias exportadoras;
• Queda no consumo interno, afetando comércio e serviços;
• Inadimplência e retração no crédito local;
• Desaceleração de investimentos em novos empreendimentos.

Em municípios como Bituruna, por exemplo, mais de 80% da economia gira em torno da indústria madeireira — e projeções apontam impacto imediato em centenas de empregos. Nos Campos Gerais, a expectativa é semelhante.

Reação política e busca por alternativas

Diante do cenário, prefeitos da região se uniram em agendas em Brasília para pressionar o governo federal por medidas emergenciais, com o apoio do deputado Aliel Machado (PV), que tem se destacado nas discussões sobre alternativas para reduzir os efeitos do tarifaço.

Entre as propostas defendidas estão a abertura de novos mercados internacionais, a criação de linhas de crédito para empresas exportadoras e a busca de acordos bilaterais que possam garantir competitividade aos produtos paranaenses.

O futuro da região

Embora as medidas de Trump ainda estejam em fase inicial de aplicação, lideranças empresariais e políticas dos Campos Gerais reforçam que o momento é de atenção máxima. A dependência de setores tradicionais, como a madeira, exige estratégias rápidas para evitar que a crise no comércio exterior se transforme em crise social e de emprego dentro da região.

Se por um lado a incerteza preocupa, por outro, especialistas avaliam que a situação pode abrir espaço para um debate sobre diversificação econômica e agregação de valor aos produtos locais caminhos que podem tornar os Campos Gerais menos vulneráveis às oscilações internacionais.

Redação Campos Gerais

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